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notícias

2008-03-17
«»Pesquisas«»

Israelenses processam governo para ter arma laser

por Rodrigo Martin de Macedo
Cidadãos de cidade próxima à Faixa de Gaza querem defesa laser pesquisada pelo governo.

Moradores de Sderot, uma cidade ao sul de Israel, próxima à Faixa de Gaza, estão processando o governo israelense por não utilizar alta tecnologia na proteção de seus cidadãos contra os ataques aéreos palestinas.

Segundo o site The Inquirer, a ação foi aberta por 70 moradores da cidade que acreditam que um canhão laser pesquisado em parceria com os americanos entre 1996 e 2005 seria capaz de oferecer alguma proteção na guerra.

Durante quase dez anos israelenses e americanos trabalharam juntos em um projeto de defesa militar chamado Tactical High Energy Laser (THEL), ou “Projeto Nautilus”, considerado por muitos como a mais bem sucedida arma de energia já criada.

Testada no deserto do Novo México, nos Estados Unidos, a arma abastecida a componentes químicos impediu, com sucesso, a detonação de 46 foguetes Katyusha. Embora tenha tido relativo sucesso, o projeto se mostrou inviável: para gerar os megawatts necessários para disparar os raios lasers, a máquina deveria ser abastecida com centenas de galões de químicos tóxicos.

Uma versão menor do THEL foi planejada, mas descobriram ser muito complexa e cara, além de exigir uma recarga completa de químicos após a descarga de poucos feixes. Todos os obstáculos fizeram com que oficiais de Israel desistissem do projeto, bem como americanos.

Agora, a fabricante de equipamentos bélicos Northrop Grumman, envolvida na criação da primeira versão, está aprimorando o THEL, que será chamado de SkyGuard, mas que de acordo com militares israelenses ainda não está pronto para ser implementado no mundo real.

Os cidadãos revoltados pelo afastamento da possibilidade de uma defesa eficiente afirmam que tiveram acesso a informações oficiais de que o sistema estaria preparado em seis meses por um custo de US$ 50 milhões (supostamente um terço do valor inicialmente proposto) e acusam o governo de negligência, tentando forçar na justiça uma decisão positiva do Primeiro Ministro Ehud Olmert e do Ministro de Defesa Ehud Barak.

O site Wired entretanto, cita declarações de um oficial americano envolvido nos testes do Nautilus, Penrose C. Allbright, que explicou ao jornal New York Times que a performance do mecanismo não foi excepcional e que embora possa funcionar sobre certas condições, é ineficiente sob outras.

Na época, um analista militar da Universidade de Tel Aviv, Yiftah S. Shapir, comentou ao mesmo jornal que o laser provavelmente seria insuficiente: “Uma guerrilha com um lançador de foguetes pode disparar 40 Katyushas em menos de um minuto, facilmente ultrapassando praticamente qualquer defesa”.

Além do processo contra o governo de Israel, os cidadãos de Sderot estão movendo também uma ação legal contra o Egito, acusando o país de estar ajudando organizações terroristas.